15 de fevereiro de 2013

Dermatite alérgica – será que é alimentar?

Um dos males mais freqüentes entre nossos amigos peludos são as dermatopatias – problemas de pele e pêlos. Existem diversas causas para as dermatopatias, sendo a mais freqüente a dermatite alérgica.

A dermatite alérgica pode ser ocasionada por substâncias irritantes que entram em contato com o animal, externamente ou internamente.

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Foto: temtudoaquivalores.com.br

Alguns exemplos de substâncias irritantes incluem:

Produtos de limpeza, picada de ectoparasitas (pulgas, carrapatos, mosquitos), cigarro, perfume, medicamentos, shampoos e condicionadores, alimentos diversos.

Os sintomas provocados pela dermatite alérgica inclui:

–  Coceira incessante
–  Pele vermelha, úmida ou ressecada
–  Coceira e secreção ao redor dos olhos
–  Coceira na região lombar e ao redor do rabo
–  Coceira e ouvidos inflamados
–  Espirros
–  Vômitos
–  Diarréia
–  Roncos
–  Lamber e morder as patas ou outras partes do corpo.

Sintomas que levam o coitadinho a um sofrimento grande pelo incomodo de uma coceira que não passa.  Que o leva a se coçar até cansar e pior, até abrir várias feridas pelo corpo.

Uma visita ao veterinário leva à procura da causa desses sintomas, que inicia através da coleta de um histórico minucioso sobre o animal e sobre o ambiente em que ele vive, e também através de alguns exames. Um tratamento é prescrito podendo incluir medicamentos orais e tópicos para dar alivio ao animal e em quase 100% dos casos é prescrito um alimento hipoalergênico que complementa o diagnóstico e o tratamento da dermatite alérgica.

Quando o animal sofre com alergias, sua causa deve ser diagnosticada. Pois somente retirando o alérgeno (causador da alergia), o problema será resolvido.  Mas diagnosticar uma alergia não é um processo fácil, e exige muita dedicação, disciplina e determinação.

Primeiro retiramos todos os produtos utilizados na limpeza do ambiente em que o animal vive. Estes são substituídos por outros neutros e menos irritantes. Mas é preciso realmente retirar TUDO! Isso inclui até mesmo perfumes dos donos, fumaça de cigarro, pulgas e carrapatos e sabão em pó. Talvez a sua casa não fique tão cheirosa como de costume, mas se você quer ajudar o seu pet, vai precisar cumprir rigidamente com as orientações do veterinário clínico ou dermatologista, para que nada interfira no diagnóstico sem você saber.  Depois de um tempo, se a coceira continuar, é hora de descobrir se o problema tem origem alimentar.

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Quando seu cão sofre de qualquer tipo de alergia alimentar, o bom senso nos faz procurar mudar a dieta do animal para excluir o alimento culpado. Até que você descubra qual ou quais alimentos poderão estar causando a alergia, é comum utilizar uma dieta hipoalergênica como primeira etapa. Sendo uma dieta hipoalergênica aquela que exclui de sua composição, ingredientes que podem causar alergias em cães e gatos.

Por conta disso, houve uma explosão de produtos alimentícios “hipoalergênicos” voltados para essa grande demanda. Produtos que prometem devolver a saúde da pele e dos pelos.

Conheço muitos casos de animais que realmente obtiveram melhora no quadro alérgico utilizando esses produtos industrializados, mas para muitos outros casos não foi suficiente. Casos estes que muitas vezes eram de fundo alimentar mas que foram mal diagnosticados.

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E a única forma de descobrir se a alergia é alimentar é fazendo uma dieta de eliminação, também conhecida como dieta de desafio.

Por este motivo acho importante ressaltar a importância da prescrição de uma dieta de eliminação bem orientada para o diagnóstico correto de alergia alimentar.

A maioria dos casos de dermatite alérgica de fundo alimentar que venho tratando nunca fizeram uma dieta de eliminação! São pacientes, cuja seus donos foram orientados a retirar alimentos conhecidamente alergênicos de sua alimentação ou a oferecer uma ração hipoalergênica.  E, quando não melhoravam o quadro completamente ou apenas parcialmente, concluíam que a alergia não era alimentar, ou que o alimento apenas agravava o quadro.

Alguns exemplos:

– Meu pet come apenas a ração hipoalergênica, mas não melhorou.
– Meu pet come apenas rações que não tem frango na composição, mas não melhorou.

Mas qual é o problema com essa conduta?

Não responde à ração hipoalergênica:

Rações hipoalergênicas usam como principal fonte protéica a carne de cordeiro, ovelha ou proteínas de soja hidrolisadas (retiram a porção que causaria a alergia). E, como toda ração, ela direciona o seu tratamento de forma generalizada.  E por este motivo ela irá ajudar muitos, mas não todos.

Alem disso, existem dois problemas:

1)    A carne de cordeiro, por exemplo, não é uma fonte de proteína milagrosa, com particularidades que melhora a saúde da pele e dos pelos. Ela é uma fonte de proteína neutra, que se não fez parte da alimentação do seu pet quando ele apresentou alergia, pode ser uma boa opção de proteína e que dificilmente irá leva-lo a ter uma reação. Mas isso não é verdade para todos os animais.  Depende do histórico de cada um.

2)  Rações são compostas por diversos ingredientes, como arroz, gordura e vísceras de frango, soja, milho, complexos vitamínico-minerais sintéticos, conservantes e outros aditivos químicos como palatabilizantes (dão sabor) e aromatizantes (dão aroma). Ingredientes e químicos que também podem causar alergia no seu pet. Por isso é que não existe um alimento 100% hipoalergênicos para todos os animais.

Não responde à alimentos que supostamente não contêm carne de frango na sua composição:

É muito difícil encontrar rações sem, pelo menos, algum subproduto de frango. Até mesmo em rações hipoalergênicas é possível encontrar gordura e fígado de frango na sua composição. Também, a não ser que o dono do pet seja muito bem orientado, é complicado pedir que ele mesmo leia o rótulo e entenda o que está escrito lá.  Alem disso, como citado anteriormente, o seu pet pode ser alérgico à outros ingredientes também, e não apenas ao frango. Se é que ele realmente é alérgico ao “abominável frango!”

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naffstastic.blogspot.com

Alguns exemplos:

– Conversando com uma colega veterinária, descobri que seu cachorro era alérgico a beta-caroteno!  Acreditam?! O coitadinho precisou abrir mão de seu petisco favorito – a cenoura!
– Um paciente ex-alérgico hoje desfruta de frango cru sem culpa, após descobrirmos que ele era alérgico somente ao frango cozido ou processado. Bom pra ele!

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E por este motivo, recebo muitos telefonemas e emails de mamães e papais de pets alérgicos que já tentaram diversos tratamentos, rações e banhos terapêuticos sem sucesso, frustrados por não conseguirem dar alívio aos seus amados peludos. E a dúvida é sempre a mesma:

Mas meu cachorro já usou a ração hipoalergênica e não melhorou! Por que seria diferente com comida?

Pois quando se oferece um alimento composto por ingredientes frescos, temos total flexibilidade de formular um cardápio verdadeiramente hipoalergênico, pois será individualizado para as particularidades do SEU pet.

Mas este cardápio só poderá ser elaborado depois de uma dieta de eliminação bem feita.

Nesta dieta, é oferecido exclusivamente apenas uma fonte de proteína (galinha, peru, coelho, carneiro, rã, cordeiro, avestruz, etc.) complementado por apenas um carboidrato (arroz, batata, batata-doce, feijão, inhame, etc) sendo ambos alimentos a qual o animal nunca foi exposto – neutros.  Desta forma restringimos ao máximo a exposição deste animal a ingredientes possivelmente alérgenos. Esta dieta é oferecida durante um período de tempo (as vezes bem longo!) até que o animal não apresente mais nenhum sintoma alérgico.

Obs. A dieta de eliminação para gatos é oferecida somente com uma fonte de proteína, excluindo assim o carboidrato.

bmslab ponto com

www.bmslab.com.br

Durante este processo é proibido a oferta de qualquer outro alimento ou petisco. Também é proibido o uso de medicamentos que possam interferir no diagnóstico.

Se ele não mostrar nenhum sinal de melhora, após o período definido, podemos excluir a possibilidade de ser uma alergia alimentar.

Se melhorar, podemos concluir que a alergia é alimentar e passar para o segunda parte da dieta.

A segunda parte da dieta consiste em introduzir de forma gradativa uma fonte diferente de proteína, podendo ser uma daquelas que o seu pet está acostumado a comer.

Esta nova proteína é introduzida durante alguns dias e ao menor sinal de que a alergia voltou, este alimento é excluído do cardápio.

Se a nova proteína não agredir, ela pode ser incluída no cardápio. E outra é testada até que todos os ingredientes que irão compor o cardápio do seu pet sejam testados.

No final uma lista de alimentos permitidos e proibidos será elaborada sendo possível a formulação de uma dieta balanceada e hipoalergênica especialmente para ele. Depois também é recomendado variar os ingredientes ao máximo, dentro do cardápio fornecido, pois alem de mais nutritivo, é menos provável que o animal desenvolva sensibilidade aos novos alimentos.

A escolha da proteína e do carboidrato, assim como as quantidades de cada ingrediente, a necessidade de suplementação e o período do teste deverão ser conversados com o profissional que está acompanhando este diagnóstico, uma vez que dietas de eliminação podem ser contra-indicadas para alguns animais.

Animais que apresentam dermatopatias, independente da causa, devem receber um alimento altamente nutritivo. Estes também poderão ser acompanhados por veterinários especialistas em dermatologia animal.

Para mais informações sobre alergias alimentares e dietas de eliminação, escreva para a gente!

Um forte abraço a todos e muito obrigada pela sua visita!

Sonali Rebelo
Médica Veterinária – CRMV RJ 10952
Nutrição Clínica

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