9 de maio de 2013

Caso clínico – Alergia alimentar

Fiona, Bulldog Frances, 2 anos, 12.5kg.

 Jpeg

Fiona foi adquirida de criador informal. Esteve bem nos primeiros meses, apresentando apenas algumas pústulas na região abdominal. Na época se alimentava com ração Royal Canin adulto – ambientes internos. Perto de completar 1 ano de idade, após seu primeiro cio, começaram a aparecer lesões eritematosas (vermelhas) por todo o dorso, com placas no abdômen, patas e pescoço. Sua pele ficou mais rosada e irritada. Iniciaram tratamentos com anti-histamínicos e antibióticos que melhoravam o quadro, mas não resolviam, pois ao interromper o uso, as lesões voltavam. Iniciou tratamento dermatológico com especialista. Foi identificado uma queratoseborreia, Malasseziose (dermatite fúngica) e foliculite estafilococica (bacteriana) e suspeitou-se de baixa imunidade e alergia alimentar. Foi prescrito uma formula para melhorar a imunidade assim como uma ração à base de ovelha e arroz (hipoalergênica). O quadro melhorou bastante, mas Fiona rejeitou a nova ração e começou a emagrecer. Voltou a comer a ração anterior e procuraram ajuda nutricional. No momento da consulta nutricional, Fiona estava novamente no cio. Foi observado uma intensa queda de pelos, muitas lesões, pele irritada e estava muito magra (perda de massa muscular). Ela e seus donos estavam sofrendo muito.

antes e depois 1

Foi iniciado o diagnóstico de alergia alimentar por meio de dieta de eliminação/ desafio. Foi prescrito uma dieta fresca à base de inhame cozido + carneiro cozido (sem temperos). Foi proibido a oferta de qualquer outro alimento/ petisco e tratamento com uso de medicamentos orais durante o período de desafio, para não interferir no resultado.

Logo após o início da dieta nova, Fiona apresentou grande melhora, suas lesões começaram a cicatrizar e a queda de pelo diminuiu bastante.

Com a melhora rápida, não foi necessário aguardar o período de 12 semanas e foi iniciada a segunda etapa do diagnóstico. Substituímos a carne de carneiro por outras fontes de proteína, de forma gradativa, e uma de cada vez durante 1 semana. Ao menor sinal de alergia, a proteína nova era suspendida imediatamente e a dieta com o carneiro era reintroduzida para eliminar a alergia. Descobriram que Fiona era alérgica a carne de frango cozida, mas não era alérgica a carne de boi cozida.

No entanto, durante esse processo, Fiona precisou fazer um tratamento para Ehrlichiose (doença do carrapato) e desenvolveu uma intensa reação alérgica ao antibiótico. Durante este período ela continuou comendo o carboidrato e a proteína que não lhe causava alergia.

Ao final do tratamento com o antibiótico, sua pele voltou a melhorar.

fiona 2

Hoje Fiona está muito bem, com seus 14kg, pele limpa e pelos lindos e macios e vivendo com mais qualidade de vida.

E o seu pet alérgico, será que tem alergia alimentar?

Uma ótima tarde à todos!

Sonali Rebelo
Médica Veterinária – CRMV-RJ 10952
Nutrição Clínico

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