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Mixuruca

"Nutrição e medicina preventiva de cães e gatos"

Fundação para nutrição saudável de cães e gatos

 piramide alimentar

A fundação para qualquer plano nutricional saudável, para cães e gatos, depende de alguns fatores:

  • Oferta de alimentos frescos, variados e adequadamente balanceados
  • Qualidade da suplementação de vitaminas, minerais e elementos traço
  • Inclusão de Probióticos e Prebióticos
  • Suplementação com os ácidos graxos corretos

Alimentos Frescos variados de forma balanceada!!!

A base para a saúde e longevidade de qualquer ser vivo está relacionada principalmente à qualidade de sua nutrição.

Acreditamos que somente alimentos frescos e integrais, oferecidos de forma balanceada, podem fornecer todos os nutrientes necessários para manutenção e otimização da saúde de forma efetiva e saudável.  O que não quer dizer que alimentos processados não nutrem, pois é claro que nutrem. Entretanto aqui defendemos a opção mais saudável e que ofereceria a melhor qualidade de nutrientes – uma alimentação fresca e balanceada.

Quando falamos em alimentos frescos, não estamos nos referindo a restos de comida preparada para consumo humano, ou até de alimentos frescos oferecidos de forma aleatória.  O que é importante entender é que apesar de usarmos os mesmos ingredientes comumente utilizados na culinária humana, para cães e gatos, estes ingredientes precisariam ser oferecidos de forma adequada para atender suas exigências fisiológicas de macronutrientes e micronutrientes que serão definidas a partir de sua espécie e de sua condição de saúde.

Suplementação de vitaminas, minerais e elementos traço

Até mesmo o melhor plano nutricional pode ser melhorado através de suplementação de vitaminas, minerais e elementos traço. Isso é porque hoje, infelizmente, as práticas agrícolas vem ocasionando uma perda nutricional considerável nos alimentos.

Para compensar por estes nutrientes perdidos é comum o uso de complexos vitamínicos e minerais sintéticos, comumente encontrados na forma de pós e cápsulas para serem adicionados a dieta do seu animal.

É preciso esclarecer, contudo, que estes suplementos sintéticos ainda que de alguma valia, não fornecem os mesmos benefícios apresentados pela sua versão natural.

Por exemplo, para que uma vitamina consiga ser reconhecida pelo organismo e consequentemente aproveitada por ele, ela depende da presença de alguns fatores. Existem diferenças nas suas estruturas moleculares, assim como a presença de “co-fatores” que auxiliam a molécula a ser reconhecida pelos receptores do organismo, assim como uma chave e fechadura. Em sua ausência, ocorre um menor aproveitamento daquela substância, reduzindo assim a sua eficácia enquanto suplemento nutricional.

Estudos em humanos vem revelando questões como ausência de benefícios e até efeitos nocivos ocasionados pelo consumo de suplementos sintéticos isolados, por este motivo, é recomendado cautela na hora de prescrever suplementos sintéticos.

Mas calma, nem tudo está perdido, e, para enriquecer a alimentação dos pets, existem estratégias para fornecer alimentos funcionais ricos em vitaminas, minerais, elementos traço, enzimas, coenzimas, fitoquímicos, entre outras substâncias que são facilmente assimilados pelo organismo. Desta forma o animal receberá uma ampla gama de nutrientes naturais ao longo do tempo de forma bem aproveitada, saudável e balanceada.

Inclusão de Probióticos e Prebióticos

  • Probióticos são bactérias benéficas, que quando ingeridos exercem efeitos positivos à saúde intestinal. Estas bactérias são incluídas em alguns alimentos como o iogurte natural, o leite fermentado, entre outros compostos.

A depleção destas bactérias no trato digestivo pode ocorrer por diversos motivos: uso de antibióticos, dieta nutricionalmente pobre, antiinflamatórios não esteroidais, diarréias agudas e crônicas, ingestão de água clorada, consumo de conservantes e toxinas em alimentos e estresse psicológico.

Na dieta os probióticos desempenham importante função na digestão:

–  Introduzem bactérias benéficas ao trato digestivo,
–  Aumentam o valor nutritivo e terapêutico dos alimentos,
–  Atuam na produção de algumas vitaminas,
– Auxiliam o sistema imunológico produzindo compostos antibacterianos e células protetoras que mantém a flora intestinal em equilíbrio.

  • Prebióticos são carboidratos ou fibras que possuem uma estrutura molecular resistente à ação de enzimas digestivas.  Estas fibras são fermentáveis e desempenham ação importante no trato digestivo:

–  Manutenção da flora intestinal, uma vez que a especificidade de sua fermentação (produzem substratos metabólicos e energéticos) estimulam o crescimento e a estabilidade de determinadas colônias bacterianas no intestino grosso.
–  Estas bactérias produzem substâncias com propriedades imuno-estimuladoras que interagem com o sistema imunológico em vários níveis.
–  Auxiliam a microbiota residente a produzir ácidos orgânicos que impedem a multiplicação de bactérias nocivas, sensíveis a meio ácido.
–  Influenciam positivamente em características anatômicas do trato gastrointestinal, aumentando a área de absorção de sua mucosa
–  Contribuem para a consistência normal das fezes, evitando a diarréia e a constipação por alteração da flora intestinal.
–  Colaboram para a absorção de nutrientes essenciais.
–  Possuem efeito “bifidogênico”, estimulando o crescimento de bifidobactérias,  que suprimem o crescimento de bactérias de putrefação que produzem substâncias tóxicas ao organismo.

Probióticos e prebióticos podem ser utilizados com segurança na alimentação de cães e gatos, muitas vezes até mesmo como alternativa a medicamentos veterinários usados para o tratamento de afecções do trato gastrointestinal. No entanto, é necessário ter cuidado em sua suplementação uma vez que sua sub-dose pode não provocar efeito algum, e seu excesso pode provocar o efeito contrario ao destinado, como produção excessiva de gases, diarréia, dor abdominal e mal estar.

Quais ácidos graxos essenciais devo suplementar?

O organismo dos cães e gatos é capaz de produzir certos ácidos graxos saturados e insaturados, porém essa capacidade é limitada quando se trata de ácidos graxos poliinsaturados (PUFAs), sem os quais o organismo não funciona adequadamente. Por essa razão, estes ácidos graxos são chamados de “essenciais” (ômega-3 e 6) e devem ser incluídos na dieta alimentar. A partir destes, outros ácidos graxos importantes podem ser gerados.

Por exemplo:

 acidos graxos

Ambos cumprem papel importante em todo o organismo, potencializando o sistema imunológico, auxiliando na manutenção da saúde da pele, e da função cerebral e cardíaca. Contudo, para exercer este papel com eficiência, estes precisam estar em um equilíbrio especifico que pode variar entre 1:1 até 4:1 dependendo da espécie e de sua condição clínica.

É comum a suplementação de ambos ácidos graxos, ômega-3 e 6, mas na maioria dos casos em que a alimentação já é rica em ômega-6 e pobre em 3, a super suplementação de ômega-6 pode levar a um exacerbação do processo inflamatório causado pelo excesso de ácido araquidônico (AA).

Como isso funciona?

O AA (ácido graxo produzido pelo ômega-6) possui ação pró inflamatória, sua função é indispensável na cicatrização de tecidos, assim como para o crescimento muscular. No entanto, em grandes quantidades pode ter efeito nocivo no organismo, promovendo uma resposta inflamatória crônica, as famosas “ites” que estão sempre reaparecendo(ex. otites, dermatites, artrites, etc).

O EPA (ácido graxo produzido pelo ômega-3) por outro lado, possui ação anti-inflamatória, produzindo um efeito oposto a do AA.

Ambos são necessários, mas somente quando o AA e o EPA estão em equilíbrio estas respostas são controladas de forma eficiente.

No organismo o AA e o EPA competem pelos mesmos receptores.  No caso de um excesso de AA (através de uma super suplementação de ômega-6, ou por uma queda na produção de enzimas que convertem o ALA nos demais ácidos graxos da família do ô-3) o animal estaria mais vulnerável a processos inflamatórios entre outros ainda mais complicados. Desta forma, a suplementação com ômega-3 tem como objetivo modular (controlar) este processo inflamatório.

Em dietas muito pobres em ômega-6 (muito pobre em gorduras) e ricas em ômega-3 por super-suplementação, algumas alterações podem acontecer pela hipofunção do AA. Algumas alterações incluem: sangramento com dificuldade coagulação e distúrbios reprodutivos.

Estas são apenas algumas funções exercidas pelos ácidos graxos, por este motivo sua escolha assim como sua quantidade, fonte e proporção devem ser cuidadosamente selecionadas para que possam atuar de forma positiva na saúde do seu pet.

Nota: Nos animais, o ômega-3 teoricamente não seria um ácido graxo essencial, uma vez que ele pode ser produzido pelo organismo a partir do ômega-6.  No entanto, os ácidos graxos são danificados quando passam por temperaturas muito altas durante o processamento (para produção da ração).  Esse nutriente alterado e danificado, leva o organismo a produzir uma carga oxidativa grande e se ele não estiver munido de antioxidantes de boa qualidade, acaba sendo prejudicado. Isso acorre principalmente em animais mais velhos que naturalmente produzem menos antioxidantes. Sendo assim, o organismo acaba não conseguindo obter quantidades necessárias de omega-3 de sua fonte de omega-6 tornando-se deficiente.

Mais um motivo para oferecer ao seu pet um alimento, pouco processado com uma carga natural maior de nutrientes, como ácidos graxos inalterados e antioxidantes naturais.

 

Estudos citados:

Foundations to Healthy pet nutrition, Natural pet health education,

Prebióticos na nutrição de não ruminantes, Leila Picolli da Silva; José Laerte Nörnberg, 2003: Scielo

Alimentos funcionais: os prebióticos. Serena Menegassi del Favero.Acadêmica de Nutrição FSP-USP – UniRio

A Importância dos Ácidos Graxos Ômega-3 no Câncer, Maria Carmen Neves Souza Carmo, Maria Isabel Toulson Davisson Correia, 2009. Revista Brasileira de cancerologia.

Essencial Fatty Acids, Dog food project

Muito obrigada por visitar e muita saúde e bem estar para seus pets!

Sonali Rebelo
Médica Veterinária
CRMV RJ 10952
Nutrição Clínica

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